A Alemanha deve proibir seu segundo maior partido? (Estadão)

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O avanço da AfD na Alemanha reabre o debate sobre os limites da tolerância democrática — e evoca as consequências trágicas da hesitação diante do nazismo nos anos 1930

O que fazer quando um número crescente de eleitores apoia um partido que representa uma ameaça à ordem democrática? Esse é o dilema que a Alemanha enfrenta atualmente.

O partido Alternativa para a Alemanha (AfD), que obteve 20,8% dos votos nas eleições federais em fevereiro e ficou em segundo lugar, foi oficialmente classificado, no início de maio, como uma organização “comprovadamente extremista de direita” pelo Escritório Federal de Proteção da Constituição (BfV). Na semana seguinte, o BfV anunciou que suspenderia a avaliação até que a Justiça decidisse sobre uma ação movida pelo próprio AfD contra a decisão — mas sem revogar a classificação anterior.

A classificação, baseada em um relatório de mais de mil páginas, não equivaleria à proibição do partido, mas permite uma vigilância ampliada, inclusive com o uso de informantes. O BfV não é um tribunal nem pode banir partidos; sua função é fornecer subsídios técnicos para possíveis decisões políticas. Para proibir um partido, é necessário um pedido formal ao Tribunal Constitucional, feito pelo governo federal ou pelo parlamento.

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