Ameaça de Trump obriga Brasil a diversificar parceiros e reduzir sua exposição aos EUA (Estadão)

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Acordo ainda é possível antes de 1º de agosto, mas o Brasil também precisa se preparar para o pior cenário.

Falta apenas uma semana para que entre em vigor a tarifa de 50 % imposta pelo governo Trump sobre produtos brasileiros. Mesmo que um acordo seja negociado nos próximos dias, instalou-se um elemento de incerteza excessiva na relação bilateral, que obriga o Brasil a acelerar o processo de diversificação de parceiros para reduzir sua exposição aos EUA – não apenas no âmbito comercial e financeiro, mas também no tecnológico e militar.

Buscar preservar os laços com os EUA e diversificar parceiros são estratégias que devem ocorrer em paralelo – mas é preciso estar preparado para o cenário em que a relação entre o Brasil e os EUA piore de forma inédita, envolvendo aumento de tarifas, sanções contra integrantes do governo brasileiro e rompimento completo do ponto de vista diplomático, dificultando a cooperação em praticamente todas as áreas. Diante dessa possibilidade, é fundamental desenvolver um plano de diversificação estratégica.

No âmbito comercial, a sobretaxa de 50 % representa, na prática, um bloqueio quase total ao mercado americano para os produtos brasileiros, especialmente os de maior valor agregado. Em 2024, os EUA foram destino de cerca de 12 % das exportações brasileiras. Commodities como petróleo, cimento, suco de laranja e café – que têm demanda global – podem ser redirecionadas a outros mercados. Ao contrário, bens de maior valor agregado – como aeronaves da Embraer e máquinas – são vendidos por contratos específicos e com certificações adaptadas ao mercado americano. Esses não são facilmente redirecionáveis, e estados como São Paulo respondem por fatias significativas dessas exportações.

Leia o texto na íntegra aqui.