Nem irrelevante, nem salvador: o Brics em tempos de Donald Trump (Estadão)

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Visão binária sobre o grupo ignora que ele tem alguma utilidade, mas com claros limites — e que o Brasil precisa apostar no multialinhamento.

 

O retorno de Donald Trump à Casa Branca teve um efeito inesperado: dar novo fôlego ao Brics. O presidente americano, com sua retórica errática, tarifas punitivas, ameaças contra o grupo e disposição de interferir na política interna de países do bloco — acima de todos, Brasil e África do Sul — reforçou a necessidade de diversificar parcerias e reduzir a dependência excessiva de Washington. Enquanto os antecessores de Trump praticamente ignoraram o grupo, os ataques frequentes do atual presidente americano representam, paradoxalmente, um elemento unificador para o Brics.

Até na Índia, que vinha estreitando os laços com os EUA ao longo das últimas décadas, as tarifas-surpresa de Trump reforçaram a percepção de que é arriscado depender demais de um aliado tão volátil, levando Nova Délhi a valorizar mais a estratégia de multialinhamento como uma espécie de seguro geopolítico.

Esse movimento poderia, em teoria, abrir espaço para o bloco avançar. Com a expansão recente, que incluiu Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia, o Brics passou a reunir mais da metade da população mundial e a responder por uma parcela cada vez maior do PIB global. A lógica parece clara: quanto maior o desgaste dos EUA junto a países emergentes, maior a utilidade do Brics como plataforma de cooperação.

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