Confronto com a Índia é maior erro da política externa de Trump até agora (Estadão)

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Parceria com Nova Délhi era a conquista geopolítica mais notável de Washington nas últimas décadas; o estrago poderá levar anos para ser revertido.

Depois de décadas de desconfiança mútua durante a Guerra Fria, governos sucessivos dos Estados Unidos investiram pacientemente na aproximação com a Índia. O cálculo era simples e correto: a maior democracia do mundo em número de habitantes, potência tecnológica em ascensão, pilar do Indo-Pacífico com o potencial para se tornar a maior economia do planeta nas próximas décadas, seria peça-chave para contrabalançar a crescente projeção chinesa.

De George W. Bush a Joe Biden, a relação avançou nas áreas de defesa, tecnologia, educação e comércio; tornou-se uma das raras agendas com apoio bipartidário em Washington, garantindo a influência contínua dos EUA na Ásia, centro econômico e geopolítico do século XXI. É justamente por isso que o recente confronto aberto com Nova Délhi se tornou, até aqui, o mais grave erro de política externa de Donald Trump.

A crise não começou com um único gesto de Trump, mas foi se agravando em etapas rápidas. Primeiro, em maio, após choques militares entre Índia e Paquistão, Trump anunciou em seus perfis em redes sociais que havia conseguido um “cessar-fogo total e imediato” — afirmação que Nova Délhi rejeitou de forma categórica, já que sua diplomacia sempre rechaçou mediação externa em disputas com Islamabad. No mês seguinte, em ligação telefônica com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, Trump voltou ao tema, vangloriando-se de ter “resolvido” o conflito.

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