Onda global de protestos da Geração Z enfrenta velhos dilemas (Estadão)

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Multidões nas ruas podem derrubar governos, mas nem sempre trazem mudanças duradouras.

A chamada Geração Z — composta por jovens nascidos entre meados dos anos 1990 e início da década de 2010 e a primeira a crescer inteiramente conectada à internet — vem ocupando o centro das manchetes em numerosos países do mundo, como Peru, Marrocos, Madagascar, Nepal e Indonésia.

No Peru, manifestações lideradas por jovens levaram o presidente interino José Jerí a decretar estado de emergência em 17 de outubro, apenas uma semana após assumir o cargo com a destituição de Dina Boluarte pelo Congresso em 10 de outubro. No Marrocos, um coletivo anônimo chamado Gen Z 212 vem organizando, há semanas, as maiores manifestações em uma década, denunciando a precariedade dos serviços públicos e a desigualdade econômica. Em Madagascar, protestos encabeçados por jovens que se chamam “Gen Z Madagascar” contra apagões culminaram na queda do presidente Andry Rajoelina no dia 14 de outubro e na formação de um governo militar. No Nepal, grandes manifestações de jovens em setembro levaram à renúncia do primeiro-ministro após confrontos. No mês anterior, a indignação com privilégios concedidos a parlamentares e com o aumento do custo de vida levou a confrontos violentos na Indonésia e forçou o governo a substituir ministros das áreas econômica e de segurança. Jovens também tiveram papel significativo em protestos que ocorreram ao longo de 2025 nas Filipinas, no Quênia, na Geórgia, na Sérvia e na Eslováquia, entre outros.

O padrão repete-se: uma faísca concreta (o aumento de uma tarifa de metrô, um hospital sem recursos, violência policial, casos de corrupção entre elites políticas, a prisão de um opositor) sobre lenha acumulada de desigualdade econômica, serviços degradados, mobilizando grupos majoritariamente sem lideranças formais, organizados por plataformas digitais e símbolos pop que cruzam fronteiras. Pautas aparentemente locais muitas vezes transbordaram para temas sistêmicos — como a falta de perspectivas e a percepção de que as elites estão desconectadas dos desafios que a maioria da população enfrenta.

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