Falta de objetivos claros torna estratégia de Trump para a Venezuela ainda mais arriscada
A movimentação militar dos Estados Unidos no Caribe nas últimas semanas reacendeu na América Latina um temor que muitos julgavam superado: a Doutrina Monroe. Anunciada em 1823 e reforçada pelo Corolário Roosevelt em 1904, essa política guiou numerosas intervenções dos EUA na região ao longo do século XX, inclusive até o fim da Guerra Fria, e deixou um rastro de desconfiança profunda em relação a Washington.
Antes mesmo da recente chegada do porta-aviões USS Gerald R. Ford ao Caribe, o atual governo norte-americano já havia realizado, em águas caribenhas e do Pacífico, cerca de 20 ataques contra lanchas, que alegou serem de uso de “narco-terroristas”. Essas ações deixaram ao menos 80 mortos e, ao que tudo indica, violaram normas de uso da força e do devido processo legal, já que não houve comprovação de combate armado nem garantias de distinção entre alvos militares e civis.
Não está claro se o objetivo de Donald Trump é apenas destruir infraestrutura ligada ao narcotráfico, forçar uma mudança de regime ou simplesmente demonstrar força. Sem metas políticas claras, porém, qualquer operação corre o risco de desencadear um conflito prolongado, desestabilizar a Venezuela e empurrar os EUA para o tipo de enrosco militar que Trump sempre disse querer evitar.