
O apoio de Washington a Viktor Orbán — líder cortejado por Moscou e Pequim — expõe uma convergência rara de interesses contra uma União Europeia mais autônoma
A recente viagem de Marco Rubio a Budapeste, logo após sua participação na Conferência de Segurança de Munique, revela mais sobre a política global do que parece à primeira vista. Com a Hungria em plena campanha para as eleições de abril, o secretário de Estado decidiu reforçar pessoalmente o apoio de Washington a Viktor Orbán, um líder que se orgulha de ter construído um “Estado iliberal” e, há anos, corrói gradualmente a democracia húngara.
Ao lado de Orbán, Rubio afirmou que o presidente Trump está “profundamente comprometido” com o êxito do primeiro-ministro — e foi além: disse que “o sucesso dele é o nosso sucesso”. É uma guinada radical: em maio de 2019, Rubio, senador à época, assinou uma carta bipartidária ao então presidente Trump, alertando-o para o enfraquecimento democrático na Hungria. Nela, os senadores afirmaram que “nos últimos anos, a democracia na Hungria se deteriorou significativamente” e, sob Orbán, “o processo eleitoral tornou-se menos competitivo”, e o Judiciário está “cada vez mais controlado pelo Estado”.
A mensagem atual, porém, é outra: Washington não apenas deixou de se preocupar com a escalada autoritária, mas está tentando ajudar Orbán contra o oposicionista pró-União Europeia Péter Magyar e o partido Tisza, que aparece à frente na maioria das pesquisas sérias, enquanto apenas institutos pró-governo apontam cenário inverso.