
A guerra Israel-EUA-Irã aprofundou antigas divergências entre os Emirados Árabes e a Arábia Saudita, integrantes-chave do cartel
A decisão dos Emirados Árabes de abandonar a OPEP, em 1º de maio, representa um enfraquecimento decisivo do cartel de petróleo. No curto prazo, o impacto será baixo porque a guerra no Oriente Médio ainda está estrangulando a oferta da região. No médio prazo, porém, abre-se um cenário em que parte expressiva da produção mundial de petróleo passará a operar sem mecanismo coletivo de coordenação — o que tende a tornar os preços mais voláteis, inserindo elemento extra desestabilizador na geopolítica. Além disso, o movimento deve intensificar a rivalidade entre os Emirados e a Arábia Saudita, o qual já alimenta conflitos armados em outros países.
Três fatores se sobrepuseram para tornar a ruptura inevitável. O primeiro é a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que transformou os Emirados Árabes em alvo prioritário. Os ataques iranianos sobre o território emiradense atingiram volume sem paralelo regional — quase 3000 mísseis e drones, mais do que o lançado contra qualquer outro país, Israel incluído.
Houve ataques que atingiram alvos civis em Dubai, até mesmo o icônico hotel Burj Al Arab, e danos a instalações petrolíferas. Diante disso, Abu Dhabi esperava mais do que solidariedade simbólica de seus vizinhos árabes. Praticamente só recebeu condolências diplomáticas. O mal-estar nos Emirados em relação à postura dos outros membros do Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico — bloco regional de seis monarquias árabes liderado de fato pela Arábia Saudita — parece, em retrospectiva, ter selado a ruptura.