
Dificuldades de Kast, Milei, Noboa e Paz ilustram por que o ciclo conservador pode não durar tanto quanto se esperava.
A onda conservadora que varreu a América Latina nas eleições de 2025 — simbolizada pela derrota da esquerda na Bolívia e pelos triunfos de líderes conservadores no Equador, Chile, Argentina e Honduras — tem sido interpretada, por numerosos analistas, não como mais um capítulo de um pêndulo político movido por insatisfação econômica e rejeição aos governantes, mas como um reordenamento ideológico mais duradouro. Essa transição seria movida por uma preocupação crescente do eleitorado latino-americano com a segurança pública, o crescimento da população evangélica e a volta de Trump à Casa Branca, entre outros fatores. Vários apostavam, portanto, em uma consolidação da tendência em 2026, nas eleições no Peru, na Colômbia e no Brasil.
Porém, os eventos das últimas semanas sugerem que um domínio da direita por vários ciclos eleitorais é pouco provável. De fato, a maioria das novas lideranças conservadoras já enfrenta sinais de desgaste político, e o resultado dos três pleitos deste ano está longe de ser previsível.
Na Argentina, o governo de Javier Milei enfrenta turbulências próprias: os custos sociais das reformas econômicas, escândalos envolvendo figuras-chave da administração e, mais recentemente, denúncias de corrupção que levaram o Parlamento a convocar o chefe de gabinete.