A guerra contra o Irã consolida a perda de influência dos Estados Unidos no Oriente Médio (Estadão)

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Mesmo com o acordo para reabrir o Estreito de Ormuz, entrou em vigor uma equação estratégica mais complexa e duradoura

Há mais de cem dias, a maior potência militar do mundo entrou em guerra contra o Irã com o objetivo declarado de eliminar o programa nuclear iraniano, destruir suas capacidades militares e — ao menos na retórica inicial — derrubar o regime em Teerã. Nenhum desses objetivos foi atingido.

Pelo contrário: não há sinais claros de que Teerã tenha de fato interrompido seu programa nuclear; as forças armadas iranianas seguem capazes de atacar territórios vizinhos em retaliação aos ataques dos Estados Unidos; e o regime iraniano, antes fragilizado e pressionado pelas grandes manifestações populares em janeiro, passou por um processo de renovação e radicalização em resposta à guerra. Quem parece acuado não é Teerã, e sim Washington.

Neste domingo, em que completa 80 anos, o presidente Donald Trump anunciou que o acordo estava “concluído” e autorizou de imediato a reabertura do Estreito de Ormuz e a retirada do bloqueio naval aos portos iranianos. O entendimento, mediado por Paquistão e Catar, prevê a assinatura formal na Suíça e estende por sessenta dias o cessar-fogo em vigor desde abril. Mas o anúncio, mais do que encerrar a crise por enquanto, expõe a posição em que Washington se enfiou: uma superpotência que ditou ultimatos, mas dependeu de mediadores de Islamabad e Doha para amarrar um texto cujos termos centrais — sobretudo o destino do urânio enriquecido — ficaram adiados para uma negociação que apenas começa.

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