
Acordos pontuais podem mitigar danos, mas a era do acesso previsível ao mercado americano acabou
O novo tarifaço de Donald Trump contra o Brasil, que combina uma sobretaxa de 25% sobre parte do que o país vende aos EUA com a tarifa adicional de 12,5% em vigor desde sexta-feira sob a rubrica de “trabalho forçado”, revela menos sobre supostas falhas brasileiras do que sobre uma nova realidade: o protecionismo americano não é passageiro, e uma das principais respostas duradouras ao alcance do Brasil é acelerar a diversificação de seus mercados.
O histórico recente não deixa dúvida sobre a disposição de Washington: quando a Suprema Corte derrubou, em fevereiro, as tarifas do “Dia da Libertação”, o governo Trump simplesmente as reconstruiu sobre novas bases jurídicas. Acordos pontuais podem mitigar danos, mas a era do acesso previsível ao mercado americano acabou.
A boa notícia é que o Brasil está menos exposto do que esteve durante a maior parte de sua história. Em 2002, os EUA compravam 26% de tudo o que o país exportava. Em 2025, absorveram apenas 10,8% das exportações brasileiras, US$ 37,7 bilhões de um total recorde de US$ 349 bilhões. Entre agosto de 2025 e maio de 2026, a fatia caiu a 9,3%, a menor da série histórica iniciada em 1997. As opções realistas de reação são conhecidas: negociar exclusões produto a produto; lançar mão da Lei da Reciprocidade com parcimônia, já que retaliar custaria caro e resolveria pouco; e, sobretudo, acelerar a diversificação de mercados.