Extrema direita na Alemanha: isolar, proibir ou deixar governar? (Estadão)

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Com 44,5% dos votos na Saxônia-Anhalt, AfD fica a um passo de governar sozinha um estado alemão; isolamento não freou o partido

A Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve neste domingo 44,5% dos votos na eleição estadual da Saxônia-Anhalt, no leste do país, mais que o dobro da CDU, o partido de centro-direita do chanceler Friedrich Merz, que ficou em segundo com 18,5%. O AfD, classificada pelo serviço de inteligência doméstica como extremista de direita, obteve assim o melhor resultado de uma sigla desse campo na Alemanha desde 1945.

O resultado intensifica um dos debates já dominantes na política alemã: por que tantos cidadãos votam em um partido radical, e o que fazer a respeito?

A explicação padrão para o voto na AfD, a de um leste supostamente pobre e abandonado, perdedor da modernização, resiste cada vez menos aos dados. O poder de compra de Magdeburgo ou Halle supera o de quase todo o sul e o leste da Europa; as aposentadorias de quem contribuiu por mais de 35 anos equivalem a 95% das pagas no oeste, e produtividade e salários chegam a 84% do nível ocidental, diferença que reflete sobretudo o caráter mais rural da região.

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